17-10-2006- Lisboa- Fortaleza
Comprei o Célebre Moleskine, armado em campeão. Só depois reparei que era uma agenda, ainda por cima de 2007... Começa Bem!!
Paguei Tap, viajo na White, companhia aérea com nome de dentífrico de que nunca tinha ouvido falar. Resultado, espaço exíguo para as pernas, se a Vechia Signora do banco da frente resolve reclinar o assento, os meus joelhos tocam-me nas bochechas. E o cidadão entroncado que viaja ao meu lado insiste em tocar-me com a perna e o braço. E quero fumar... ARGHHHH! vou fumar o resto da minha vida para afrontar este Estado paternalista! Neste mundo pode-se matar, agredir, bombardear, oprimir, contanto que não se fume! Quando tiver o meu cancro no pulmão vou gritar para a porta da Assembleia da República: TOMA!!!!
Para ajudar à festa, ao lado da velha está uma Brasileira expatriada em Itália, com mais mamas que juízo, que não pára de olhar para mim e sorrir.
Muito por culpa da falta de nicotina e das outras 4.700 substância tóxicas que compõem o fumo do cigarro, não paro de me lamuriar. É tanto mais absurdo porque nos bancos centrais ao meu lado viaja um cidadão francófono amputado a meio dos dois antebraços, com a cara toda queimada e praticamente cego (tem um monóculo/lupa acoplado na lente direita dos óculos de fundo de garrafa) que lê sobre einstein e faz equações com o auxílio de uma espécie de pulseira de silicone com suporte para caneta. Acompanham este quasimodo dos tempos modernos dois viadinhos brasileiros!
A banda sonora da minha viagem é creditada a uma senhora da terra de Satã, de seu nome Polly Jean, Harvey pelo casamento, Femme extraordinaire munida de túbaros de cavalo. As sete horas de viagem serviram para ouvir a discografia completa. obrigado Polly. Want a cracker?
PJ Harvey- Legs
Oh you're divine Oh you're divine
Oh Oh Oh did I tell you you're divine
Oh Oh Oh Oh did I ever when you were alive
Did it hurt when you bled?
Did it, oh lover boy, oh fever head?
I'll bet you never thought I'd try
Your mouth, my love, was open wide
Singing oh you were going to be my life
Dammit!Oh Oh Oh Oh you were going to be my life
Did you sing "Oh happy day"?
Singing it Sing it that time I went away?
Got to ease my aching head
Do you know No other way cut off your legs
ohHey ohDid you ever wish me dead
Oh lover boy, oh fever head?
No you must, no you must not go away
How will you ever walk again?
And I, I might as well be dead
But I could kill you instead...
Fernando Gabeira: " Sempre que me vou despedir de alguém, a paisagem de volta do Aeroporto me parece estúpida e banal."
Fila gigante no controlo de passaportes no Aeroporto de Fortaleza. Só para gringos(SWEET REVENGE). Uma funcionária passa pelas 100 pessoas que (des)esperavam e pergunta: " Tem algum Filipino aí?"
EU AMO ESTE PAÍS!!!!
Piada de uma Polícia Federal Barsileira para um colega, enquanto ele me controlava o passaporte: " Mulher é como chiclete! a gente come mastiga, cospe, pisa e ela ainda gruda no pé."
Cheguei ao Hotel em Fortaleza, que é uma mistura de Torremolinos com Quarteira. saí do Táxi e o motorista chama-me. Tinha deixado caír a bolsa com o passaporte, cartões de crédito, voucher do hotel, bilhtete de avião e 400 Euros no chão ao lado do carro!
18-10-2006 Fortaleza- Jericoacoara
Saí de Quarteiridorm com alegria. Agora sim, vai começar. A viagem entre Fortaleza e Jijoca decorreu sem incidentes. A Jardineira entre Jijoca e Jericoacoara, sempre em picada e pela praia, ía acabando com os meus tomates. Surpreende-me sempre como é que há pessoas a viver nos sítios mais ermos. pobreza de Job, ficam os sorrisos das crianças.
Em Jijoca, enquanto esperava a Jardineira, vi dois pedreiros artistas. Num prédio em construção, o que estava em baixo lançava tijolos para o que estava no 1° andar com a ajuda de uma vara, e este apanhava-os sempre com um jeitinho de anca ou levantando um pezinho.
Andou o Arquimedes a inventar a roldana para isto!!!
A Pousada Calanda é a MAIS BONITA DO MUNDO!!!
Duna do pôr do Sol- Majestoso!!! estavam umas 100 pessoas a ver o crepúsculo e no final aplaudiram. O Sol Agradece!!!
O pior de estar sozinho é a hora das refeições. Ainda por cima não trouxe um livro. Fico a ouvir um Reggae Brasileiro bacana (Armandinho) e a trocar sorrisos com a Garçonete bonitinha, que apesar de ter uns 18 anos, já é casada. Comi espeto de Camarão com manga e Filé de Peixe, ambos divinais. bebi duas caipiroskas, fiquei bêbado, e adormeci às 20.30, hora local.
19-10-2006- Jericoacoara
Acordei à uma da manhã. Voltei a dormir até às 4.30. Saí da pousada para ver o nascer do Sol na duna. Sublime, ainda mais bonito o opúsculo que o crepúsculo! e desta vez ninguém aplaudiu.
Andei pela praia deserta com um cãozinho preto que me adoptou. fez todo o caminho comigo, só parando para ladrar aos pássaros nas lagoas.
Voltei à pousada mais bonita do mundo. deitei-me na rede da zona comunitária Zen e abri o Livro ¨Mar Morto¨ de Jorge Amado! Obrigado, Ana, difícil vai ser ler outro depois...
Ás 7.30 fui tomar o pequeno almoço. Vi que no quarto ao lado do meu estava um casal de Italianos com o filho de um ano e pico que veio comigo no Avião. O filho é lindo, de anúncio de fraldas Dodot, e ela é um mulherão, alta, morena, com aqueles olhos felinos que só as Italianas e as Brasileiras têm. o Gajo caguei, eu não sou desses. Mãe e filho chamaram-me a atenção no avião pelo amor imenso que irradiavam, tão lindos os dois!
Saí novamente, agora para o lado oposto da Duna do pôr do Sol. Andei pela praia, subi um cerro, desci, e regressei pelas pedras. Que saudades de quando era puto, quando andava pelas pedras com agilidade. Agora parecia uma velha, sempre de mãozinha no chão. Também por estar sozinho (imaginei-me a gritar SOCORRO!!!) e por não querer estragar este momento mágico que estou a viver. Depois, pousei a tralha e dei o 1° mergulho no Mar. A água estava absolutamente perfeita!
Estou tão feliz por ter vindo!
Voltei para a pousada dos meus sonhos. No sítios Zen das 4 redes estavam três viadões italianos. Não podia ocupar a quarta rede sem que isso fosse mal interpretado. Deitei-me então na cama do quarto a ler o Velho Sr. Baiano e a ouvir o Moon Pix de Cat Power. MELHOR? IMPOSSÍVEL!!!
Há precisamente um ano atrás, no dia 19 de Outubro de 2005, vivi o pior momento da minha vida. Estava em Alfragide, a fazer a inspecção do carro do Tito Paris (?!?!, retalhos da vida de um ex-advogado), quando o meu irmão me ligou.
¨ O Pai está muito mal- disse-me- vem para cá¨.
Ele estava no Hospital, levámo-lo para lá três dias antes, e eu sabia que em breve ele ía embora.
Entrei no quarto de Santa Maria. Ele fitou-me com olhos de louco. O figado tinha deixado de vez de funcionar e já não filtrava uma qualquer substância alucinogénica que o organismo segrega naturalmente.
Estava amarrado à cama, queria fugir, pensava que o vinham matar. O meu irmão acha que ele julgava estar na Guerra. Dizem-me que os cinco anos que passara na Guerra em Angola o transfiguraram, o tornaram taciturno, a ele e a muitos da sua geração. Eu sempre o conheci assim, com medo e ódio de tudo e por todos.
Por isso, para mim, ele estava numa trip diferente. Sabia que ía morrer e a droga endócrina fê-lo criar cenários. o cancro maldito transformou-se na polícia que o vinha matar.
Segurei-lhe a mão, pela primeira e última vez. O meu irmão também. Ao fim de umas horas e com a ajuda de sedativos, acalmou-se e adormeceu. Fomos embora.
No dia seguinte melhorou, e eu soube que seria a última vez. Depois entrou em coma e deixou-nos.
Adeus Pai! Nunca foste um modelo, nem nunca tivemos nada em comum (excepto o nosso Benfica), mas sei que gostavas de mim!
Tenho saudades, por isso te chorei tanto hoje, enquanto caminhava pela Praia deserta!
Djavan- Oceano
¨Assim que o dia amanheceu lá no mar alto da paixão
dava pra ver o tempo ruir
cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim?
Enfim,de tudo o que há na terra não há nada em lugar nenhum
que vá crescer sem você chegar
longe de ti tudo parou
ninguém sabe o que eu sofri
Amar é um deserto e seus temores
vida que vai na sela destas dores
não sabe voltar
me dá teu calor
Vem me fazer feliz porque eu te amo
você deságua em mim e eu oceano
e esqueço que amar é quase uma
dor
Só sei viver se for por você!¨
Conforme disse uma certa loura platinada que eu adoro, cujo nome não vou revelar, mas que tem alcunha de imperatriz austíaca e partilha sobrenome com um certo Major intocável, ¨è tão bonito quando alguém sabe ser romântico¨
20-10-2006- Jeri- Lagoa Azul- Lagoa do Paraíso- Jeri
Ainda não tive oportunidade de aceder a uma lista telefónica para praticar o meu desporto favorito quando venho ao Brasil, ¨Namespotting¨.
É notável a quantidade de ...ineides e ...ovaldos que existem aqui em terras de Vera Cruz (pera aí, esta não era a gaja que apresentava o Agora Escolha?)
Para mim, os campeões em título são os jogadores da bola Wesnalton, Jociválter e Darnlei. No caso deste último, o Pai dele devia estar naufragado em cachaça quando foi ao Registo, decerto a intenção seria chamá-lo Wanderlei.
Gostava de ficar algum tempo aqui, mas sinto ânsia de partir em busca de outros paraísos. Se pudesse ía e deixava cá um alter ego [ se fosse brasileiro e tivesse filhos gémeos, chamaria a um deles alteregineide ou alteregovaldo]
Comer macaxeira frita e beber uma Brahma geladinha à beira da lagoa azul. sweet!
Continuo à espera que apareça a Brooke Shields toda nua... Brooke, filha, tu és virgem, eu sou Balança, vem-me fazer cafuné, que no Agassi já não dá!!!
Para quem não sabe, esta menina arrogou-se de virgem durante anos, America's sweetheart obligé. parece-me a mim que era mais tipo Jardel, só com a cabecinha...
E para calar as bocas de reacção que fazem circular nalguns meios que eu estou a ficar careca, venho esclarecer que o meu cérebro não pára de crescer, o que leva a uma natural distensão dos ossos frontal, occipital e parietal, ou seja, da testa.
Terminei o ¨Mar Morto¨ nas margens da lagoa do paraíso.
Obrigado Jorge, Amado até por Yemanjá. Segue-se João Ubaldo Ribeiro, ¨Viva o povo brasileiro¨. VIVA!!! O Durrel [my precious] fica para depois.
O bom de estar aqui sem muié:
¨ Quer pulseira?
Não!
Quer um Chapéu?
Não!
Vai um biquini para oferecé?
Não! ¨
Sempre com um sorriso aberto, um não rotundo e terminante, mas com leite condensado.
Estou com stress, nunca mais chegam os bolinhos de macaxeira com queijo...
Tarde em Itapuã- Vinícius e Toquinho
¨Um velho calção de banho
o dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
e um arco-íris no ar
Depois, na Praça Caymmi
sentir preguiça no corpo
e numa esteira de vime
beber uma água de coco,
é bom Passar uma tarde em Itapuã
ao sol que arde em Itapuã
ouvindo o mar de Itapuã
falar de amor em Itapuã
Enquanto o mar inaugura
um verde novinho em folha
argumentar com doçura
com uma cachaça de rolha
E com olhar esquecido
no encontro de céu e mar
bem devagar ir sentindo
a terra toda rodar,
é bom Passar uma tarde em Itapuã
ao sol que arde em Itapuã
ouvindo o mar de Itapuã
falar de amor em Itapuã
Depois sentir o arrepio
do vento que a noite traz
e o diz-que-diz-que macio
que brota dos coqueirais
E nos espaços serenos
sem ontem nem amanhã
dormir nos braços morenos
da lua de Itapuã.¨
Esta é a música de amor da minha Mãe e do meu Pai vivo, seres que adoro e admiro profundamente, tudo o que tenho de bom brotou deles. Curiosamente, casaram no dia 22 de Outubro de 88, precisamente 18 anos antes de o meu outro Pai ter viajado.
¨Eu sei que caio no inexplicável quando afirmo que a realidade, essa noção tão flutuante, é o conhecimento o mais exacto possível dos seres, e é o nosso ponto de encontro e a nossa via de acesso para as coisas que ultrapassam a realidade¨
Esta reflexão de Margueritte Yourcenar serviu de mote ao 1° livro sério que li,aos treze anos, ¨Memorial do Convento¨, de um certo Comunista canário. Isto ficou-me de tal modo gravado na mente que a sei em francês, conforme está no livro, eu que nem percebo muito do idioma de Baudelaire e Alain Prost.
Certo é que este conceito é uma das bases da perspectiva que desde cedo adoptei de todo este teatro existencial.
O meu maior logro nesta já não tão curta existência foi ter purgado toda a formatação, sou dono da minha filosofia!
Prostro-me e aceito que o Sol fustigue a minha pele. Não coloco entraves. Afinal, o Astro é Ele!
Aqui em Jeri, para lá das dunas de areia branca e fina entrecortadas por oásis de coquerais, da praia deserta e do mar tépido, há outra coisa que me preenche. As vacas e os burros deambulam entre os Sapiens sem temor. Honestamente, neste momento, sinto-me melhor entre os bovinos do que com os humanos. Faço horários contra-ciclo, tomo caminhos alternativos (perco-me invariavelmente, e isto só tem 5 ruas), só para evitar grandes contactos. Não sei se este estado de espírito se vai manter durante toda a viagem, mas agora só quero Paz e Natureza! Humanos há muitos, ó palerma!
E, ao contrário do que certos cabeças de uretra possam pensar, EU NÃO SOU UM TURISTA SEXUAL!!!
21-10-2006- Jericoacoara
Acordei novamente às 4 da manhã. Credo, o que se passa comigo? Bebi um sumito e saí, subi a uma duna mais afastada do mar e fiquei à espera do Astro, enquanto escutava os ruídos da Natureza. Aprende-se muito a ouvir a Natureza. Por exemplo, nunca tinha reparado que o zurrar do burro se assemelha a um fanhoso a levar no rabo [as coisas que eu digo]
Enfim o Sol chegou, tirei fotos como um japonês, e depois tive que esperar duas horas até que os calões da Calanda (pensão) se decidissem a servir o pequeno almoço.
Pequeno Almoço que enfardei:
- café com leite
- pão com fiambre e queijo
- suco de abacaxi e suco de maracujá
- iogurte natural caseiro
- bolo de chocolate
- panquecas com mel
O Açucar tem formigas? ATÉ AS COMEMOS, CARAGO!!!!
Vou postar aqui este texto do carioca poeta do Amor, Vinícius de Moraes. Já o tinha reproduzido no emérito e moribundo blog ¨ Saudosos do Porco Sujo¨. mas é tão bonito e verdadeiro que nunca é demais.
¨Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários. De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, trêmulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os¨
Hoje está um calor de ananazes, como dizia o Eça, ou o Peça, ou outro finado, não interessa. Pela primeira vez desde que cheguei, o vento amainou um pouco. Salvé vento, que criaste estas dunas. São nove da manhã e já não consigo estar na rua. Por um lado, ainda bem, dentro de dois dias vou para Parnaíba, no Estado do Píaui, o mais quente do Brasil. Por isso, é bom que me vá acostumando
Atendendo à canícula, planeio ler o dia inteiro, dormir uma sesta, e lá para o fim da tarde visitar o Atlântico.
Tenho um costume, que partilho com o meu núcleo duro, como gosta de definir o meu amigo Demo Lucífer Mefistófeles de Satanás, vulgo David Valadão (vulgo mesmo, seu porcooooo)
Necessito absolutamente dos meus poisos, um sítio para pendurar o meu chapéu, como desejava o Chatwin. Se gosto fico, e volto.
Em Lisboa é o meu bar, óbvio, e o Opart.
Aqui em Jeri, o Café Brasil, para uma sandocha e um suco, sempre com bossa nova e um ventilador bem em cima da minha cabeça, e ao jantar, o restaurante sabor a lenha, de um ilustre porteño (oriundo de Buenos Aires, cidade de que sinto saudades) , o tal da comida deliciosa e da garçonete bonitinha com um sorriso que ilumina. Não lhe vou perguntar o nome, ainda sai um Maria Creuza ou Edineide e lá se vai o charme.
Os brancos têm um desplante inacreditável!
Escravizaram, dizimaram, humilharam e oprimiram 3/4 do mundo durante séculos, 4/5 se contarmos com as mulheres das suas próprias sociedades. Agora caminham altivos e magnânimos por terem concedido, alegadamente, uma espécie de alforria aos seus ¨protegidos¨ de tez e cultura diferente. E não conseguem entender porque alguns deles ainda os odeiam...
Brancos de Merda! Ainda bem que eu sou mais p'ró acastanhado.
Chego ao quarto depois de uma hora imerso no Oceano. tomo um duche e deito-me na cama, de barriga para baixo, a flutuar novamente, ao som do ¨Street Spirit¨ dos Radiohead.
Acreditem ou não, estavam duas vacas e um bezerro à beira-mar a ver o pôr-do-sol. Tenho fotos que o comprovam.
Estive a observá-las longamente, são tão engraçadas- ¨vaquinha, vaquinha¨, até fiz festas na cabeça de uma.
Agora, no meu Restaurante, acabo de pedir um Filet Mignon mal passado
Sou um Selvagem!
Há um ano!
¨ - Então, Mãe?
- Então, filho, como é que vai isso?¨
Ele encolheu os ombros, numa resignação que buscava reconforto. Ela sorriu-lhe, decerto o mesmo sorriso de quando o susteve nos braços a primeira vez, estou seguro que era essa imagem que tinha na cabeça, susbsituíndo a daquele homem debilitado que não mais se ergueria
¨- Isto está muito mau, Mãe!
- Vais-te pôr bom, filho, para irmos para o nosso Algarve, a Mãe trata de ti¨
Ele encolheu novamente os ombros, revelava enfado, ele sabia, ela também, já não fazia sentido dissimular.
- Só tenho pena de não ter podido despedir-me do Gonçalinho, o meu netinho, gosto tanto dele.¨
Eu liquefiz-me. Ela não, é uma mulher de armas, sorriu-lhe novamente, estancou-lhe as lágrimas com autoridade maternal, e disse-lhe ¨Vais-te pôr bom, filho¨, que na verdade significava Vai em Paz.
Ele não entendeu. Virou-lhe a cara, voltaram os olhos de louco e os esgares e trejeitos faciais que nunca lhe tinha visto.
Depois começou a balbuciar coisas incompreensíveis, que logo descobrimos ser linguagem de programação informática. Maldito trabalho, que ele sempre odiou e que o consumiu até ao último suspiro, de tal modo que as suas últimas palavras foram em Pascal, ou Cobol.
Há um ano dormia, como no sofá. Não acordava. Liguei à minha Tia, médica, disse-lhe que estava a dormir bem mas que estava com alguma dificuldade em respirar.Merda- disse ela- vou já para aí! Não compreendi
Entrou uma médica, falou com a minha Tia. Ela chamou-me, agarrou-se ao meu pescoço e explodiu no choro mais violento que alguma vez vi. Afinal o que eu julgava ser sono profundo era coma causado por uma embolia pulmonar, tudo por causa da falência hepática.
Éram 6 da manhã. A tua Máquina parou! Olhei-te! Ainda dormias no sofá.
até breve!
parto amanhã de manhã, pela praia, de jipe até Camocim e de Van (nem sei o que me espera), até Parnaíba.
23-10-2006- Jericoacoara-Camocim-Parnaíba
Percurso: uns cinquenta quilometros pela Praia deserta ladeada de dunas e mangueirais até chegar a uma lagoa que cruzámos de balsa. Depois picada, mais praia e outra balsa até chegar a Camocim, vila pescatória com um mercado trepidante, no qual circulam ciclistas com altifalantes incorporados nas bicicletas, vociferando todo o tipo de anuncios publicitários.
O Hotel Cívico de Parnaíba, onde estou, aconselhado pela Biblía (Avé Lonely Planet), é também muito bonito, apesar de estar em nítida decadência.
Os meus companheiros de copa do Bar sabem que aguento o Vodka como um submarinista soviético. No entanto, uma caipiroska aqui deixa-me logo com um grão na asa. Deve ser do vodka nacional, de marca Orloff, que servem aqui ( hoje vi um anúncio pintado numa parede ao vodka Roskoff, não estou a brincar). Cheira-me que deve ser cachaça com umas gotinhas de querosene e um toque de água de colónia de Badajoz...
Acho que os Brasileiros ainda não entenderam que a função primordial de um ar condicionado é arrefecer o ambiente, e não imitar o barulho do motor de uma SIS Sachs.
Estou de Parabéns!
Por último, gostaria de solicitar à grande maioria dos meus amigos que se dignassem comentar neste pasquim, uma vez que essa foi uma das principais razões pela qual eu o criei. Ou será que vocês olham para o blog e dizem ¨ xiiiiiiiiiiii patrão, tanta letrinnha piquinininha¨
24-10-2006- Delta do Parnaíba.
Para não me tornar repetitivo, abstenho-me de referir que o passeio foi lindo, maravilhoso, inesquecível, barquinho pelo mangue, rio, praia e dunas, e em excelente companhia .


Amanhã vai começar o meu périplo pelas santas terrinhas que circundam o parque nacional dos lençois maranhenses, Tutóia, Paulino Neves, Barreirinhas e Atins. não sei se vou ter Net:(
O meu dia terminou com muita emoção e adrenalina.
25-10-2006- Parnaíba-Tutóia-Paulino Neves
Ónibus em direcção a Tutóia, onde tenho que ir para tentar arranjar transportes rumo a Barreirinhas ou Paulino Neves, que são as portas de acesso ao Parque Nacional dos Lençois Maranhenses. Viagem de duas horas e meia.
Comecei por ouvir o It's Alive de Ramones, dava um testículo para ter estado naquele concerto. Depois passei para Prodigy, já não ouvia há decádas, soube-me bem. Agora estou em Skazi, que para quem não sabe é trance pica-miolos. Eu gosto, e depois???
Em todo o caso, tenho que acalmar, estou a ir para a santa terrinha.
Cheguei a Tutóia, o Onibus parou. Perguntei como ía para a pousada onde me podiam dar informações sobre o transporte.
¨Ele te leva¨, disseram-me, apontando para um tipo em cima de uma espécie de DT. E lá fui, eu que me pelo de medo de motas, à pendura com a minha mala de 15 quilos em cima do joelho. Fomos a dez à hora, mas ainda assim tremia que nem varas verdes.
Cheguei à Pousada. Um sítio indescritível, pardieiro dos antigos, a fazer lembrar um qualquer motel de beira de estrada em Vilar Formoso, onde os camionistas levam as meninas. Estou a rezar para que me arranjem um carro, senão vou ter que ficar aqui mesmo...
Ufa.... ao fim de três horas de espera, lá consegui alguém que me levasse a Paulino
Neves. Um Land Cruiser com caixa; preço para viajar 100 km, 5 Reais, menos de 2 euros.
Em Tutóia, a Farmácia é também agência do Banco do Brasil, e o cemitério tem o nome pomposo de ¨ Cemitério da Igualdade¨
Em Parnaíba disseram-me que Paulino Neves, que também se chama Rio Novo, é um sítio peculiar, porque apesar de pequeno, tem uma considerável percentagem de cidadãos homosexuais. Há quem pense que tem a ver com a água do rio. Conforme me disse um Pescador da Aldeia de Tatu, ¨têm machão de pelo na costa que entra no Rio e já sai rodando a bolsinha¨.
Eu não tenho pêlos nas costas, para minha felicidade e prejuízo das depiladoras a laser. Por isso, naquele rio não molho nem os pezinhos. Aos 31 anos já é muito tarde para mudar de time.
Cartaz no caminho para Paulino Neves:
Enfim, cheguei a Paulino Neves, fui directo à Pousada da Dona Mazé, que me tinham aconselhado em Tutóia. Pousada modesta, mas... basta-me dizer que tem um Rio com cerca de metade da largura do Douro a correr no quintal das traseiras.
26-10-2006- Paulino Neves- Barreirinhas
Acordei antes das 5 da manhã, com o cantar de dezenas, senão centenas de galos, cujo chamado se mesclava num ulular fantasmagórico
Entretanto, prossigo a minha Maratona literária, ¨ Viva o Povo Brasileiro¨, 673 páginas, A5, letra pequena, já li 450.
Hoje dei uma queda aparatosa no centro de Barreirinhas. O meu chinelo prendeu-se num ferro espetado no chão e caí para a frente. Valeram-me o Hoquei e o judo, que me ensinaram a cair instintivamente sem me magoar.
Finalmente a Lua começa a despontar! Estava a ficar farto das noites escuras, faltava este elemento essencial, o Luar.
27-10-2006- Barreirinhas- Lagoa da Preguiça- Lagoa Esmeralda- Lagoa Azul- Lagoa do Peixe- Barreirinhas.
Pois é, hoje descobri um novo patamar de beleza natural. É inacreditável, não há fotos que lhe façam justiça. Fiordes de água da chuva cruzando dunas de areia branca como neve, que ganham uma luminosidade cósmica por acção dos raios solares.
Nem me vou alongar muito, só vendo mesmo. Estou sempre a dizer que tudo é maravilhoso, mas que posso fazer, é mesmo, não vou mentir.
E estes Lençois, junto com as cataratas do Iguaçu e com o céu da savana de Masai Mara, no Quénia, são talvez os pedaços de Natureza mais bonitos que já vi na minha vida.
Quanto à viagem, fui na companhia de uns cotas brasileiros tontos, de uma paulista de meia idade que ainda pensou que sim comigo, mas fiz-lhe logo ver que não, de um velhote de oitenta e tal anos cheio de genica e de piada, da mulher dele, de metade da idade, mas que se desdobrava em cuidados com o seu Juju, velho gaiteiro, e da sobrinha deles.
Esta última, com vinte e poucos anos, bigode farfalhudo e verruga no queixo, ficou encantada com este vosso selvagem, e dengosa, dizia ¨ Português, vem para a água, vem¨ e ¨ Portugal é uma cidade bonita, é?¨ e fazia-me festas nas costas quando me apanhava desprevenido.
Já não há respeito!!! Só me saem duques!
Claro que, no regresso das lagoas, tive que acartar com o velho pelo areal, eu e o guia. coitado do homem, mas ainda foi lá. Respect!
Gosto de Barreirinhas, apesar de ser meio turístico, tem bastante vida, as pessoas são simpáticas e as meninas que servem nos cafes e restaurantes sorriem. Nos sítios em que estive antes, excepto Jeri, notei um certo pudor que se convolava em antipatia, o que decerto provém de serem meios pequenos e fechados. Em todo o caso, estava a ficar um pouco despontado com isso. Mas aqui não, e isso é bom, é sempre agradável ver um brilhozinho nos olhos.
É incrível o número de crianças e adolescentes que existem em todos os cantos deste país. Assim tem que ter futuro, Brasil!!!
Em cada casinha de tijolo, nos sítios mais ermos, nas janelinhas ou nos quintais espreita sempre uma criança, geralmente meninas, lindas, quase indiazinhas, de longos cabelos, parecendo obviar a languidez que as circunda submergindo nos seus universos pensados e, sobretudo, brincados.
Acredito que vem daí a felicidade deste povo, que aprendeu a estreitar o mundo, à custa de muitas agruras que reputa acessórias em face da dança em que se deixa envolver, não com inocência ou ingenuidade, mas com uma placidez sábia, não escolástica, mas elementar.
Provavelmente, romantizo em demasia. Pouco me importa, este é o meu Brasil, e as generalizações são sempre desviantes.
Se um dia tiver filhos (brrr, que arrepio na espinha), gostava tanto que fossem meninas. Se for macho, ponho no E-Bay!
Esta terra está infestada de morcegos. Deve ser o único bicho que rivaliza com as ratazanas na minha escala de fobias.
Tinha combinado jantar com os meus amigos transitórios, mas estou sem muita pachorra. vim para a minha mesa da minha esplanada beber uma caipiroska de maracujá e comer umas patinhas de caranguejo à milanesa com molho rosa. depois acho que me vou escapulir para o quarto, estou quase a terminar o meu livrão, e estou curioso.
Amanhã ganhamos aos tripeiros e ficamos em PRIMEIRO!!!!!!!!!! OU NÃO, MAS QUASE...
Em primeiro lugar, queria deixar bem claro que, até a milhares de quilómetros de distância, O BENFICA METE-ME NOJO! Como é possível, a acreditar pelo que li na ¨ Bola¨, sofrer um golo de um lançamento de linha lateral depois de ter dado a volta ao resultado.
QUE ÓDIO!!!!!!
Hoje fui despertado, não por galos, mas pelas inúmeras e frenéticas chamadas telefónicas feitas pelo dono da pousada à porta do meu quarto, a convocar eleitores para seguirem amanhã para Barreirinhas no autocarro que ele fez fretar. A política é mesmo um nojo...
Houve aqui um escândalo político, porque a campanha do Alckmin, candidato do PSDB à presidência, produziu como artigo de merchandising umas mãos esquerdas em cartão com 4 dedos, imitando a mão de Lula, que perdeu um dedo na sua profissão de torneiro mecânico.
Hoje vivi um momento de grande infelicidade. fui fazer um passeio de lancha pelo Rio Preguiça, muito bonito. destino, uma terra chamada Vassouras e outra chamada Caburé. Vassouras, onde um Mar de Dunas Amarelas confronta com o Rio e com um pequeno bosque onde vivem os macaquinhos mais engraçados que eu já vi, parecem pessoas em ponto pequeno, (tipo o meu Irmão Didi)
Depois, aconteceu a tragédia.
Ao entrar no barco ouvi um ¨splash¨ Olhei, e vi um fiozinho a boiar, pensei que fosse o resto de uma rede de pesca. WRONG! Era a máquina fotográfica da Ana, tinha caido de uma nesga da mochila aberta! Calma, respira. Após 4 horas sem funcionar, quando cheguei à Pousada já consegui ligá-la. agora vou-lhe dar descanso e logo se verá. Senão funcionar, lá me meti em prejuízo.
29-10- Barreirinhas- S. Luís do Maranhão
A política é mesmo um nojo (parte 3)
A tal Roseanna Sarney, apoiada pelo grande educador da classe operária, Lula, foi a uma culto da I.U.R.D. receber o apoio directo do líder nacional daquela horde de extortores. Até o Pai dela, o ex-presidente José Sarney, esteve presente na sessão, dizendo coisas como ¨ maldito o homem que não acredita em Deus¨
QUE ASCO!!!
È com declarações destas que uma pessoa arranja Sarney para se coçar.
Acordei virado para Este, por isso vou para S. Luís. Quero sentir a noite eleitoral no meio da civilização. Vou ficar no Hotel ¨Portas da Amazónia¨.
É um bom prenúncio!
Despeço-me de Barreirinhas sob os primeiros pingos de chuva desta viagem. Sei que um dia vou voltar para partilhar o tesouro que são os Lençois com alguém (estar comigo nos lençois é sempre um tesouro!!)
O autocarro para S. Luís vai parando nos sítios onde decorre a votação, depositando os eleitores dos povoados vizinhos.
Apercebo-me que uma das coligações concorrentes no Estado se chama Frente de Libertação do Maranhão. Também não era preciso dramatizar tanto...
Pára em todas as estações e apeadeiros, e ainda por cima esqueci-me de carregar o Ipod, por isso tenho que gramar com a música evangélica, só Deus, Amor, Paz e alegria, com baixo, bateria e até solos de guitarra, que soa a altos berros neste onibus maldito. O dito Autopullman tem escrito na lateral ¨Deus é Fiel¨. Dá-me logo vontade de dizer ¨ dá a patinha, Deus¨, ¨ Anda, Deus, vai buscar o pau¨ ou ¨ senta, Deus, senta. Good God¨
Ok, este está a ser o ponto mais baixo desta viagem, ainda pior que deixar cair a camara ao rio. Há 4 horas que estou a ouvir as mesmas seis músicas evangélicas. BASTA!!! PELAMORDEDEUS!!! Ops, isso não. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
Cheguei a S. Luís. Que cidade tão linda, amor à primeira vista, um misto de Lisboa com aldeia alentejana e beirã, espraiada sobre um um Rio/ Mar multicolorido, que seca quase 50% ao fim da tarde. I think i'm in LOOOOVEEEE! Por alguma razão é património mundial da UNESCO. (fotos gentilmente cedidas por uma amiga)
A pousada Portas da Amazônia é excelente, uma casa colonial restaurada, rústico mas com extremo bom gosto. Definitivamente, vou gostar de estar aqui...
Cheguei à Pousada e na Internet estava o meu amigo Piloto da Iberia. Fiquei muito contente, porque não tinha ficado com o contacto deles,e provavelmente não os veria mais. fomos ter com o outro piloto, bebemos uma cervejinha numa praçinha muito barcelona style, a ouvir um reggae, e encontrámos os Americanos e os Israelitas. o grupinho juntou-se outra vez. Ainda bem, naquele momento estava com vontade.
Decidimos ir a uma festa reggae que havia numa praia. os dois casais foram andando e eu e os espanhóis fomos mais tarde. fomos de Táxi até à Praia e, chegados lá, perguntámos se havia por ali algum restaurante. Estávamos os três com o estômago colado às costas de fome, diga-se. O motorista, para não destoar da corrupção transfronteiriça que caracteriza a sua classe profissional (eu diria mesmo espécie infra-humana), disse-nos que não, que ali não havia nada, e que para nos levar a um tinhámos que pagar mais. Dissemos que não e saímos do carro, já conformados com a ideia de comer um rotidogui (hot dog).
Andámos alguns passos desanimados, quando, à Beira-Rio plantado, vislumbro um restaurante japonês. quase me vieram as lágrimas aos olhos, eu e o Joan até nos abraçámos, porque os dois veneramos a gastronomia kamikaze.
E lá comemos um barquinho de 45 peças com duas caipirinhas de saké cada um :p, 12 euros por cabeça. ARIGATO!
Entretanto, a festa era rija, o Jackson ganhou É 12 É 12 É 12. Bem feita para a sarneynta, poque, segundo me disseram, há decádas que a família dela é hegemónica no Maranhão,e, apesar de ser apoiada pelo molusculo cefalópode, é mais de direita que o Jackson. Por isso, VIVA O 12!!!!
Depois de jantar, lá arrancámos para a festa Reggae. Mal chego, aproxima-se de mim uma neguinha muito bonita, grandes tranças, via-se que era a dona do pedaço, e diz-me ¨ Comé, gato, vem dançar um reggaezinho bem gostoso comigo?¨ ao que eu respondi ¨¨ Não, agora não, obrigado¨
O rosto dela transfigurou-se de uma maneira que devia ter sido filmado. Se não era a primeira nega que ela levava na vida, não andava longe disso.¨
¨ Não?-disse- mas não porquê?¨
¨Porque acabei de chegar e agora não me apetece, talvez mais tarde.¨
¨ Aí, o meu princípe não pode dançar porque chegou agora¨, disse ela, lixadíssima.
¨ Calma, Rainha- disse eu para fazê-la sorrir- você não ia querer dançar com um portuga com dois pés esquerdos¨
E assim ficou com uma troca de sorrisos. Mais tarde descobri que era Safira, rainha do Reggae de S. Luís e uma das principais do Candomblé cá do sítio, que se chama tambor de Creola, que no fim da festa fizeram uma cerimónia espectacular.
Pouco depois veio falar comigo uma Paulista cujo Pai tinha sido responsável pela campanha do dito Jackson e ela é nada menos que tetraneta do ... Eça de Queiros, chama-se mesmo assim, Isabel Eça de Queiroz, vi no BI.
Enfim, uma noite do camandro...
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Ontem mais um dia descontaído em S. Luís.
Acordei ressacadíssimo às nove e tal da manhã. Lá se foi o meu plano de ir ao mercado de Belém de madrugada. Enfim, não se pode ter tudo. Tomei o pequeno almoço e fui dar uma volta. Hoje a cidade já respirava um pouco melhor, menos gente. Acho que começo a entendê-la um pouco, mas em todo o caso não lamento muito deixá-la.
Perguntei no Hotel a que horas era o barco para Marajó. Disseram-me que à uma. Estranhei, no guia dizia que era às 14:30; Perguntei se tinham a certeza. Disseram-me que a certeza absoluta. Cheguei à estação às 12:30. O barco saiu às 15:00
ISSO É BRASIL, MERMÃO!!!
Barco tipo cacilheiro para a Trafaria. Viagem descendo o Amazonas até ao ponto onde ele espraia a sua imensidão sobre o Atlântico, junto à Ilha do Marajó.
Jantei na Pousada, a ouvir uma bossa nova dulcíssima, João Donato e Vanda Sá, que para além de ser um excelente guarda-redes, é óptimo a cantar bossa nova em voz de falsete (piada futebolística, Van der Saar guarda redes do Manchester, porra que é preciso explicar tudo).
Corcovado- António Carlos Jobim:
¨Quiet nights of quiet stars
Quiet chords from my guitar
Floating on the silence that surrounds us
Quiet thoughts and quiet dreams
Quiet walks by quiet streams
And a window that looks out on Corcovado
oh how lovely
Um cantinho, um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo!
Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor¨
Depois, foi esperar pela Lua, hoje sim cheia, porque aqui pouco mais se faz. No mesmo sítio de ontem, lá estava a nuvem de tempestade a relampejar. Começo a acreditar que é uma projecção aqui da pousada. E Então lá apareceu a grande esfera alaranjada. MADE MY DAY!!!!
ERA UM PEDAÇO DE PELE DE UM CAMALEÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
8-11-2006- Marajó- Belém- SantarémHoje acordei com um humor de Búfalo!
Esta malta tem a mania, pelo menos no que respeita a viagens, de combinar as coisas com uma antecedência absurda. Já em Paulino Neves me irritou, a Toyota para Barreirinhas devia ter chegado às 13:00 e ao 12:30 já tinha metade da vila à minha procura porque anteciparam, Resultado, tive que arrumar tudo à pressa e ainda os obriguei a voltar para trás porque tinha esquecido o carregador de bateria da máquina fotográfica.
Hoje, tinha Barco de Marajó para Belém ás 6.30, a van demora meia hora a chegar ao cais, por isso, a van passava na pousada às 5 da matina!!! Porra, será que é preciso fazer check in?!?!?!
Então, acordei às 4.30, raspei as ramelas com uma faquinha e lá comecei a arrumar as coisas. Ás 4.40 tocam-me à porta, era o motorista da Van, com cara de poucos amigos a apontar para o relógio. escondi o meu mau humor na bochecha esquerda, sorri a contragosto e disse-lhe que já ía. 5 minutos depois, o real cabrão bate-me à porta outra vez, com ar de que ou ía ou ele punha-se a andar.
Aí, viu o que poucos viram até hoje. O meu real mau humor matinal. Três palavrinhas de voz rouca, dois monossílabos, ¨ Jᨠe ¨vou¨, e outra de três sílabas, que não vou reproduzir, foram suficientes para que ele baixasse a bolinha.
É que um gajo combinar algo às 5 da manhã e chegar 20 minutos adiantado, é dose, não há quem aguente.
Como é obvio, chegamos ao cais às 5.20 que raaaaaaiiiiivaaaaa!!!!!!
Cheguei ao barco e agarrei-me logo a um banco corrido, para dormir durante a viagem. Caguei no Amazonas, tenho sono. Mas depois, vício maldito, levantei-me para fumar um cigarro, e quando regressei já tinha um cidadão esparramado no meu banco, sendo que o pezão dele só me dava margem para sentar e pouco mais. Mas ainda assim dormi um pouco e o humor lá foi melhorando.
Chegado a Belém, Taxi para o Aeroporto. Devo estar com especial aptidão para as relações sociais, pois no final dos 20 minutos de percurso já o Natalino taxista me dizia que era uma pena que só nos tivessemos conhecido ali, porque senão íamos beber umas cervejas com os amigos e umas meninas, e que quando voltar a belém fico em casa dele, e deu-me o n° de telemóvel, etc... será Impulse?
Enfim Santarém, cidadezinha n confluência dos rios amazonas e tapajós, e muito interessante, fervilhante de comércio, muito descontraída e com um avendia marginal muito bonita. Gostei.
Jantei numa esplanada junto do Rio. alguém me pôs o seguinte papel na mesa:
¨ ATENÇÃO!!!!
9-11, 10-11, - Alter do Chão.
Este Blog vai definhar, poque a Net aqui é linha telefónica e vai constantemente abaixo para não mais voltar.
11-11-2006- Alter do Chão
Comecei o dia a ver algo inaudito. Um tipo a andar de bicicleta e a tocar viola!
De resto, jornada integralmente dedicada à Natureza, na companhia dos meus companheiros ambientalistas. Trilhas na floresta, passeio pelas praias de rio, a oeste, e de lagoa, a este, para culminar com uma escalada ao fim da tarde ao monte mais alto daquela região do Tapajós para uma visão panorámica sob aquele cenário magnífico, pontuada pela maviosa orquestra da floresta. Tive vontade de passar ali a noite.
Mas descemos, jantámos e fomos ao bar lá da terra, onde assisti na mesa ao lado a mais uma cena de filme, esta de Almodóvar:
8 mulheres numa mesa, duas cinquentonas, 2 quarentonas, 3 nos vinte e uma teenager, que, pela conversa era recém casada. Mãe, Tias, Primas e Irmã da dita teenager.
E a conversa versava, alto e bom som, sobre o facto de o marido da teenager lhe ter pedido que ela lhe enfiasse o dedo no rabo!!!
E a Mãe dizia ¨ tens que fazer, filha, é como o sexo oral, tudo é acto libidinoso¨
E a Tia ¨ Não faz não, depois não tem limite, onde isso vai parar?
E a Teenager ¨ Mas seu eu não fizer, tenho medo que ele vá procurar um homem.
E a prima ¨ Eu sou advogada, eu é que sei, você tem que fazer o que lhe der prazer, senão ele vai procurar quem o faça¨
E nós na mesa do lado... O Haroldo (Haroldo eh eh) leu o cardápio umas vinte vezes e eu quase arrancava o lábio inferior de tanto o morder, para que não caísse na tentação de sugerir uma solução de compromisso, como o dedo mindinho...
12-11 a Alter do Chão-S. Luís
13-11 S. Luís- Santo Amaro
15-11 Santo Amaro - S. Luís
16-11 S. Luís- Fortaleza-Lisboa.
Resumindo:
Em Alter do Chão, acordei bem cedo de manhã para subir novamente ao monte, que a hora e pouco de trilha e escalada são bem recompensadas por aquele panorama.
Depois, uma hora de imersão naquela lagoa tépida e avião para S. Luís.
Sobrevôo magnífico pelo manacial de lagoas, rios, e areais que salpicam a monocromática selva amazônica. vivi um momento algo maníaco-depressivo, pois ouvi todo o tempo as mesmas três musicas: Cure for Pain e I'm Free now, de Morphine (Mark, R.I.P) e A Place Called Home de P.J. Harvey.
Depois, S. Luís do Maranhão, cidade que ficou com o meu coração!
No dia seguinte, Santo Amaro, lugarejo nas fraldas dos Lençois (isto soa mal mas que se lixe!), perto de uma lagoa fabulosa, lagoa da gaivota, onde passei uma tarde que nunca vou esquecer. Após o pôr-do-sol, comecei a correr como um moleque pelas dunas e quando parei e olhei aquele cenário tive uma descarga emocional que quase criava uma outra lagoa a meu pés.
Só um pensamento inundava a minha mente:
ESTE SOU EU!!!!!
Depois S. Luís, despedida, até breve. e agora seca de 7 horas no aeroporto de Fortaleza.
Amanhã ponho um ponto final neste pasquim...























































































































































































































